HIERAQUIA DAS MEDIDAS DE CONTROLE

01/09/2015
Geral

O EPI seria o vilão?

A cultura do uso prioritário do Equipamento de Proteção Individual (EPI) se arrasta por décadas no Brasil, por incrível que pareça isso é um atraso na evolução da Segurança do Trabalho no País. Existem hierarquias para implantação de medidas de controle dos agentes causadores de riscos no ambiente de trabalho. A primeira delas é a ação diretamente na “Fonte do Agente”, por exemplo, se uma máquina emite um elevado Nível de Pressão Sonora (NPS) o correto seria uma ação diretamente na fonte, posso citar como exemplo enclausurar a máquina, se o processo assim o permitir. Caso isso não seja possível poderíamos tentar a segunda medida na ordem de hierarquia que seria tomar uma medida na “trajetória do agente” no exemplo citado, poderia ser construída uma barreira acústica para minimizar o impacto causado pela emissão do ruído ocupacional, se ainda assim não for possível a implantação das duas primeiras medidas citadas, poderíamos tentar uma terceira medida conhecida como “medida administrativa” como exemplo posso citar o revezamento de setor de trabalho, se no período da manhã o trabalhador fica exposto em um ambiente que possui ruído acima do Limite de Exposição Ocupacional, o recomendado é que na parte da tarde o trabalhador fique em um ambiente mais ameno. Se ainda assim em função do processo produtivo ou escassez de mão de obra nenhuma das três opções puderem ser implantadas aí sim podemos adotar a mais cara delas que é o uso do EPI. Muitos empregadores acham que o EPI é a medida mais barata, porém isso não é verdade, a adoção do uso de Equipamentos de Proteção Individual em curto prazo parece ser uma boa opção, porém a médio e em longo prazo não é, vejamos, por exemplo, uma empresa que fornece Protetor Auditivo para 200 empregados, o custo de um protetor auditivo eficaz gira em torno de R$ 130,00 (cento e trinta reais) no mercado, considerando que o mesmo tenha uma vida útil de seis meses o que vai corresponder a pelo menos uma troca por ano, isso daria exatamente R$ 52.000,00 (Cinqüenta e dois mil reais) apenas com o custo de Protetor Auditivo, lembrando que na maioria das empresas os empregados utilizam outros equipamentos de proteção individual (EPI) além do protetor auditivo. Se esse dinheiro for revertido para implantação de medidas de controles diretamente na fonte, a curto prazo pode significar um valor elevado, porém a médio e a longo prazo veremos que compensa. O Empresário brasileiro parece que acostumou com a cultura do EPI e se esqueceu de fazer as contas do custo benefício das medidas adotadas prioritariamente na fonte ou trajetória do agente. Isso sem falar no controle do fornecimento e registro do EPI que muitas das vezes na maioria das empresas é falho.

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